A cientista Tatiana Sampaio reconheceu que o artigo científico que apresenta testes em humanos com a polilaminina contém erros e informou que está preparando uma nova versão do estudo. A substância vem sendo pesquisada como possível tratamento para lesões na medula espinhal.
O trabalho havia sido divulgado inicialmente como pré-print, formato utilizado para tornar pesquisas públicas antes da revisão por outros especialistas. Segundo a pesquisadora, o objetivo da publicação preliminar era registrar a autoria da pesquisa, mas o material apresentou falhas de redação e inconsistências que agora serão corrigidas.
Entre os problemas identificados está um gráfico que mostrava a evolução clínica de um paciente por cerca de 400 dias, apesar de o próprio texto afirmar que essa pessoa havia morrido poucos dias após o procedimento. De acordo com Sampaio, houve um erro na organização dos dados, que será corrigido na versão revisada.
A pesquisa reúne cerca de duas décadas de estudos e analisa o uso da polilaminina, uma proteína relacionada à laminina que pode estimular a regeneração de conexões nervosas após lesões na medula espinhal. Os testes em humanos começaram em 2018 e envolveram oito pacientes.
Apesar das críticas feitas por especialistas sobre a metodologia e a apresentação dos resultados, a pesquisadora afirma que as correções não mudam as conclusões principais do trabalho. Segundo ela, a revisão tem como objetivo apenas melhorar a clareza das informações e corrigir falhas técnicas.
A nova versão do artigo deve passar novamente pelo processo de avaliação científica em revistas especializadas. Até que a revisão seja concluída, o estudo atualizado ainda não foi divulgado publicamente.